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O atacante Kylian Mbappé, do Real Madrid, foi da cerimônia da Bola de Ouro ao centro de uma polêmica internacional após comentar, durante uma entrevista, que um de seus memes favoritos é uma montagem que coloca seu rosto sobre a imagem de Mao Tsé-Tung, ex-líder da China.
A declaração provocou críticas no país asiático, levou ao rompimento de contratos comerciais e fez a própria LaLiga, responsável pelo Campeonato Espanhol, divulgar um pedido de desculpas. Nesta terça-feira, 27, o jogador francês também se manifestou publicamente.
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A repercussão ultrapassou as redes sociais e alcançou empresas, veículos de comunicação e autoridades chinesas. Entre as consequências divulgadas estão o encerramento de parcerias comerciais com Mbappé e o anúncio de que a emissora estatal CCTV deixará de transmitir partidas do Campeonato Espanhol.
Diante da dimensão do episódio, o atacante reconheceu que seu comentário foi imprudente e afirmou que não pretendia ofender a população chinesa.
A controvérsia teve origem em uma entrevista concedida por Mbappé ao programa The Bridge, publicado pelo canal ESN no YouTube.
Durante uma dinâmica de perguntas e respostas rápidas, o francês foi questionado sobre os memes que mais o fazem rir. Na resposta, mencionou uma montagem audiovisual em que seu rosto aparece associado ao corpo de um governante chinês, referido por ele como um "ditador chinês".
Embora não tenha citado Mao Tsé-Tung nominalmente, a imagem mencionada fazia referência ao líder que comandou a China entre 1949 e 1976. A declaração passou a circular nas redes sociais chinesas e provocou uma onda de críticas, principalmente pela associação da imagem de Mao a uma brincadeira.
Figura central na fundação da República Popular da China, Mao Tsé-Tung permanece como personagem de grande importância histórica e política no país. Seu período no poder também foi marcado por campanhas políticas, repressão e episódios de violência em larga escala.
Segundo as informações divulgadas pela imprensa internacional, grandes companhias chinesas decidiram romper seus vínculos comerciais com Mbappé após a repercussão da entrevista.
Entre as empresas mencionadas estão a Mengniu, uma das maiores produtoras de laticínios da China, e a Dongpeng, companhia de destaque no setor de bebidas.
A controvérsia também chegou à televisão estatal chinesa. De acordo com o jornal Global Times, a CCTV anunciou que deixará de transmitir partidas de LaLiga em resposta à situação.
Diante das críticas e das consequências comerciais, Mbappé divulgou um comunicado em inglês, francês e chinês para se desculpar. O atacante reconheceu que sua reação à montagem foi inadequada e afirmou compreender o desconforto provocado pelas declarações.
"Durante uma entrevista recente, reagi a uma imagem minha. Meu comentário foi imprudente, e agora compreendo que ele feriu muitas pessoas na China e em comunidades chinesas ao redor do mundo", declarou.
Na sequência, o jogador pediu desculpas diretamente às pessoas que se sentiram ofendidas e afirmou ter respeito pela história chinesa.
"Peço desculpas a todos que se sentiram ofendidos pelas minhas palavras. Essa, de forma alguma, foi a minha intenção. Tenho profundo respeito pelo povo chinês e por sua história, e sinto muito, sinceramente", completou.
https://t.co/MQBo9NCSy5
— Kylian Mbappé (@KMbappe) October 27, 2026
A controvérsia chegou ao Ministério das Relações Exteriores da China, que se pronunciou sobre a repercussão das declarações. Segundo o Global Times, o ministério afirmou que pessoas que "ferem os sentimentos do povo chinês" enfrentarão oposição no país.
Com a suspensão anunciada das transmissões e a repercussão negativa, a LaLiga também decidiu se manifestar publicamente.
Em nota, a organização do Campeonato Espanhol lamentou o desconforto provocado pelas declarações de Mbappé, mas ressaltou que o atacante falou em caráter pessoal, sem representar a entidade ou os clubes participantes da competição.
"A LaLiga lamenta profundamente a ofensa que os recentes comentários de Kylian Mbappé causaram entre os torcedores chineses. Esses comentários foram feitos a título pessoal e não representam a LaLiga. Na medida da nossa responsabilidade institucional, pedimos desculpas em nome da LaLiga e de todos os seus clubes", informou.
A entidade também reafirmou o compromisso com a relação construída com o público chinês ao longo dos anos: "O futebol espanhol defende o respeito, a convivência e a união entre pessoas de todas as culturas. Transmitimos o nosso respeito à China, às suas instituições e ao seu povo, e valorizamos profundamente o apoio dos milhões de torcedores que nos seguem a cada semana".
A organização acrescentou que está em contato com parceiros institucionais na China para tratar dos desdobramentos da crise.
O presidente da LaLiga, Javier Tebas, também se pronunciou sobre o episódio e procurou separar a manifestação individual de Mbappé das relações mantidas pelo futebol espanhol com o mercado chinês.
O dirigente destacou que o campeonato reúne mais de 20 clubes profissionais e possui uma base expressiva de torcedores na China, que podem ser afetados pelas consequências da controvérsia.
"Não podemos permitir que uma atitude individual comprometa essa relação nem prejudique os mais de 20 clubes de nossas competições profissionais e milhões de torcedores chineses", afirmou Tebas.
Segundo o presidente, a LaLiga já iniciou conversas com seus parceiros no país asiático para tentar superar o impasse e preservar as relações comerciais e institucionais.