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O Grêmio terá um importante reforço, nesta segunda-feira (26), na luta contra o rebaixamento. Mas não será dentro de campo.
Serão quase dois mil torcedores, que devem invadir a capital paranaense para ajudar o Tricolor na missão de conquistar a primeira vitória fora de casa no Brasileirão, diante do Coritiba, pela 32ª rodada do Brasileirão.
Essa "invasão" ao Couto Pereira não será a primeira na história do clube. Em 2003, o Grêmio também lutava contra a queda. Cerca de 70 ônibus saíram do Olímpico rumo a Criciúma para ajudar o Tricolor no objetivo de permanecer na Série A.
A "invasão" ao Heriberto Hülse deu resultado. Vitória por 2 a 0 em Criciúma e, ao final do ano, a permanência na Série A foi garantida (o Grêmio viria a cair no ano seguinte).
Autor do gol que fechou o placar naquela tarde em Santa Catarina, o ex-centroavante Christian lembrou a importância da "invasão" na permanência do Grêmio na Série A de 2003:
— Aquele grupo foi fantástico. A gente conseguiu recuperar o sentimento, trazer o torcedor de volta, fazer acreditar que poderíamos dar a volta naquela situação. Um sentimento de remobilização — afirmou.
Christian disse se lembrar até hoje da partida. Para ele, um jogo crucial na permanência na elite:
— Conseguimos os pontos que foram fundamentais para evitar o rebaixamento. Sem dúvida nenhuma, quem participou daquela tarde, foi um momento de muita conexão. Um dos bons momentos que tive na minha carreira foi aquela tarde em Criciúma — relembrou.
O Grêmio tem, a seu favor, uma boa imagem do Couto Pereira. Durante e após as enchentes de 2024, na impossibilidade de atuar na Arena, o estádio do Coritiba foi a casa do Tricolor em parte da temporada. Mais uma imagem "positiva" para o torcedor que irá participar de uma nova "invasão".
Mesmo uma eventual vitória contra o Coritiba não tira o time da zona de rebaixamento. Isso porque o Inter fez 3 a 0 no Botafogo, no Beira-Rio, saiu do Z-4 e abriu quatro pontos para o Grêmio (empurrou o Corinthians, com 33, para 17º).
No entanto, a rodada não foi de todo ruim para o Grêmio. Apesar do resultado do Inter, Vitória e Mirassol empataram em 1 a 1 com Athletico-PR e São Paulo, respectivamente, e o Corinthians perdeu para o Vasco, por 3 a 2.
O ataque é um dos problemas a ser resolvidos por Renato Portaluppi. Ao lado de Corinthians e Remo, o Tricolor tem o segundo pior da competição, com apenas 34 gols marcados — atrás apenas da Chapecoense, com 32.
Como visitante, o desempenho é ainda mais assustador. São apenas nove gols marcados — o pior índice entre os 20 clubes da Série A.
Em entrevista coletiva na última sexta-feira (23), o centroavante Carlos Vinícius falou sobre o momento ruim. O jogador é o artilheiro do Grêmio no Brasileirão, com 11 gols:
— O clube que a gente joga é gigante, a torcida que nos acompanha é gigante. Nos apegamos a isso. É isso que nos faz acreditar que vamos chegar em Curitiba e fazer os três pontos. Mas temos que ter atitude, querer conquistar. Vamos conseguir — afirmou.
Para passar pelo momento ruim ofensivamente, a opinião de quem foi às redes em muitas oportunidades com a camisa Tricolor:
— São momentos difíceis. Atacante vai do oito ao 80 muito rápido. E às vezes as coisas não dão certo. Tem que estar preparado para tudo. Sob pressão, as oportunidades são mais raras. Mas quando a bola aparecer, tem que estar preparado mentalmente e fisicamente para transformar essas oportunidades em gols — afirma Christian.
O Grêmio ainda terá pela frente outros três jogos fora de casa (veja abaixo os adversários restantes). No entanto, o jogo mais "contornável" é contra o Coritiba, inclusive pelo momento do adversário: o time soma quatro derrotas e dois empates nos últimos seis jogos.
Só um dos adversários está mais abaixo na tabela: o Corinthians, que momentaneamente divide a zona de rebaixamento com o Grêmio. No entanto, a dimensão do jogo, a tradição do adversário, somado a uma possível situação irreversível na penúltima rodada, tornam uma vitória mais difícil, ou ainda de pouca utilidade a depender do cenário.
Contra Flamengo, postulante ao título, e Santos, em franca ascensão após as contratações, vencer longe da Arena deve ser improvável. A busca pela fuga do rebaixamento passa, necessariamente, por uma vitória no Sul — para repetir 2003.