Voltar
Algumas colunas atrás, defendi que o Santos hoje está em um patamar abaixo apenas de Flamengo e Palmeiras quando analisamos qualidade técnica e potencial de elenco no futebol brasileiro. O empate por 0 a 0 com o Palmeiras, na última quarta-feira, na Vila Belmiro, só reforçou essa impressão.
E existe um detalhe importante: o Santos fez isso sem Neymar e ainda sem Arthur à disposição.
Mesmo desfalcado, o Peixe conseguiu enfrentar de igual para igual — e em vários momentos dominar e encurralar — uma equipe que disputa o título brasileiro e está acostumada há anos a jogar partidas decisivas.
Isso diz muito sobre como o Santos mudou.
Philippe Coutinho, Gabigol e Everton Cebolinha dão ao Santos uma capacidade técnica que poucos clubes possuem.
Gabriel Bontempo vive uma fase fantástica, ganhou enorme protagonismo e vem mostrando que deixou há muito tempo de ser apenas uma promessa. Gustavinho também virou um jogador extremamente importante para o funcionamento da equipe.
Há ainda Rodinei, Luan Peres e outros nomes que deram ao elenco experiência e competitividade.
Não significa que o Santos tenha virado um time perfeito. Está longe disso. Ainda desperdiça oportunidades demais, sofre com lesões e possui um desempenho dentro de casa que poderia ser muito melhor.
Mas existe uma diferença enorme entre reconhecer problemas e reconhecer qualidade.
E qualidade este time tem.
Talvez o Palmeiras seja hoje o adversário mais difícil do país. É um projeto consolidado, acostumado a títulos e que praticamente todos os anos chega às fases decisivas das principais competições.
Mesmo assim, o Santos não passou o clássico inteiro apenas se defendendo.
Criou chances. Teve controle em diferentes períodos. Obrigou Carlos Miguel a trabalhar e esteve perto de vencer.
No fim, também poderia ter perdido, porque o Palmeiras cresceu e criou oportunidades. Mas esse é justamente o ponto: foi um jogo entre dois times competitivos, e não entre um favorito absoluto e alguém tentando sobreviver.
Pouco tempo atrás, essa diferença parecia enorme.
Hoje, não parece mais.
Por isso a classificação para a Libertadores de 2027 ganhou uma importância ainda maior.
Se o Santos conseguir a vaga e, principalmente, mantiver a base desse elenco, não entrará na competição apenas para participar.
Com Neymar, Coutinho, Gabigol, Cebolinha, Bontempo e os demais jogadores importantes, além de uma pré-temporada completa para desenvolver o entrosamento, existe material para montar uma equipe capaz de competir.
Flamengo e Palmeiras ainda possuem projetos mais consolidados. Isso precisa ser reconhecido.
Mas o Santos começa a dar sinais de que pode diminuir rapidamente essa distância.
O clássico da Vila mostrou justamente isso.