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O Corinthians espera resolver nesta terça-feira o impasse envolvendo a licença de treinador de Clarence Seedorf. Depois de ter o pedido de reconhecimento negado pela Conmebol, situação revelada pela coluna, o clube busca uma alternativa junto à CBF para conseguir a liberação do holandês.
A entidade máxima do futebol sul-americano deixou claro que não trabalha com exceções. Questionada sobre a possibilidade de conceder alguma autorização especial para o reconhecimento da licença, a resposta foi curta e categórica: "não". Entretanto, a negativa da Conmebol não significa necessariamente que o Timão esteja sem alternativas.
O Corinthians tem todo o direito de buscar uma solução para Seedorf. A Conmebol informou à coluna que o holandês não cumpre a exigência de três anos de experiência e que a documentação foi verificada pelas duas confederações envolvidas no acordo, ou seja, Conmebol e Uefa. Diante disso, fica uma pergunta bastante objetiva: o que o Corinthians espera mudar em um dia? Quais documentos vão resolver a lacuna de experiência do holandês?
O caso de Filipe Luís, que recebeu autorização especial para comandar o Mônaco mesmo sem ter os três anos exigidos de trabalho como técnico profissional, não se aplica a Seedorf. O exemplo foi pontualmente lembrado por uma fonte da Conmebol. O treinador brasileiro só recebeu a licença da Uefa por ter conquistado um título continental, a Copa Libertadores da América. Não há registro similar na curta carreira do holandês que justificasse o mesmo benefício.
Mas o Corinthians tem uma chance.
Como o clube disputa apenas competições nacionais neste momento, a CBF pode avaliar uma solução própria para permitir que Seedorf exerça a função no futebol brasileiro. Segundo entendimento transmitido à coluna, a Conmebol não se oporia à adoção de uma medida excepcional de âmbito nacional, desde que ela não representasse um reconhecimento da licença pela confederação sul-americana. A bola, portanto, está com a CBF.
O Corinthians tem pressa e trabalha com a expectativa de resolver a questão nesta terça-feira. Mas uma eventual autorização excepcional precisará ter fundamento regulamentar e poderá abrir uma discussão sobre os critérios adotados para o licenciamento de treinadores no Brasil. Afinal, se a CBF decidir flexibilizar uma exigência para Seedorf, será importante esclarecer se o mesmo caminho estará disponível para outros profissionais em situação semelhante.
Por enquanto, a Conmebol mantém sua posição, o Corinthians busca uma saída e a CBF terá de decidir se existe um caminho regulamentar para liberar o holandês nas competições nacionais. Se a Conmebol não abre exceções, resta saber qual solução a CBF encontrará.
O Corinthians pode encontrar um precedente recente no próprio futebol brasileiro. Em julho de 2025, Davide Ancelotti foi regularizado pela CBF para comandar o Botafogo, apesar de nunca ter trabalhado como treinador principal de uma equipe profissional.
A autorização nacional, entretanto, não resolveu automaticamente a situação do italiano perante a Conmebol. Na Libertadores, Cláudio Caçapa chegou a assinar a súmula como técnico.
O caso demonstra que a CBF já adotou critérios de habilitação distintos dos exigidos para o reconhecimento internacional de licenças. Resta saber se o mesmo caminho poderá ser utilizado pelo Corinthians.