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São Paulo, Brasil
“Passei por esses momentos (pressão) na minha carreira.
“Única coisa é trabalho. A mentalidade que eles precisam ter é “Não esqueci como jogar futebol”. É uma luta mental, porque as coisas não saem, é acreditar em si. É igual ir à academia para fazer musculação, é trabalhar a mente.
“É um processo, estou muito orgulhoso deste grupo.”
Seedorf falava e sorria, depois da vitória do Corinthians, por 2 a 0, diante do Mirassol. Bidu e Kaio César marcaram.
A vibração do holandês tinha motivo. Ele conseguiu montar uma equipe com enorme movimentação, triangulações pelas laterais, coragem de encurralar o competitivo time do interior, na defesa.
“Estou muito feliz por eles, merecem essa vitória, dessa maneira, vão ter que seguir trabalhando. A gente sabe que não acabou aqui. É um bom primeiro passo. Temos muita confiança de poder continuar dessa maneira.
“Nada é por acaso. No treinamento, concordamos em nos cobrar muito sobre isso. Vira essa coisa de mentalidade, vira outro hábito. Esse hábito (entrega) faz parte do DNA do Corinthians e do grupo.”
Além da estratégia sufocante e da atitude, algo muito importante mudou.
O preparo físico corintiano.
Os jogadores correram do primeiro ao último minuto, complicando o esquema defensivo, 5-4-1, montado pelo Mirassol.
Essa explosão muscular estava faltando no Corinthians de Dorival Júnior e de Fernando Diniz.
O resultado, muito comemorado, quebrou dez partidas de jejum, sem vitórias do Corinthians.
Mas a situação é tão ruim que os três pontos não bastaram para tirar o clube da zona do rebaixamento.
Mas a postura do time, em Itaquera, foi arrebatadora.
33 arremates a gol contra quatro.
Foi a melhor atuação do Corinthians em 2026.
O time, que precisava desesperadamente da vitória, pressionou o Mirassol do primeiro ao último minuto.
Mas houve uma atitude aos 20 minutos de partida, que transformou a partida.
De forma descabida, infantil, tola, irresponsável, o atacante Bruno Santos deu uma cotovelada no rosto de André Ramalho.
O árbitro Matheus Candançan foi avisado pelo bandeira Daniel Luis Marques sobre o lance. E deu cartão amarelo. Só que o chefe do VAR, José Cláudio Rocha, o chamou. Mostrou o nível de irresponsabilidade do jogador de 29 anos. E ele foi expulso.
Imediatamente as redes sociais foram inundadas de mensagens de internautas garantindo que a ameaça do presidente da Gaviões da Fiel, avisando que os torcedores sabiam onde os árbitros estavam hospedados e que ‘estava ficando insustentável segurar a massa’.
O Ministério Público o acusa oficialmente de incitar a violência.
A CBF exigiu que o policiamento fosse dobrado para proteger os árbitros da partida de ontem.
O presidente da Gaviões, proibido de entrar nos estádios e de se aproximar dos árbitros, conseguiu. Qualquer lance, mesmo correto, contra o adversário do Corinthians será questionado.
Como fez o técnico do Mirassol, Rafael Guanaes, depois da justa expulsão. ‘Dá logo os três pontos para o Corinthians. Dá para eles.’ Disse para o árbitro, tomando amarelo.
“A gente sabe o quanto ele (juiz) está pressionado. A torcida dos caras, todo mundo viu o que falaram, ameaçaram. Então é complicado”, desabafou o veterano Reinaldo, do Mirassol.
Com um jogador a mais e muito melhor no jogo, o Corinthians se impôs de tal forma, que não deu o mínimo espaço para contragolpes, que era seu calcanhar de Aquiles.
“A parte mais importante foi a fase defensiva. Como a gente pressionou desde o primeiro minuto.
No 11 contra 11, o Corinthians estava dominando o jogo completamente, complicando a saída de bola deles, que é um time que joga muito bem.
“Dificultamos muito para eles essa saída, roubamos muita bola, isso dava o comando do jogo, quando o adversário não consegue criar, sair do meio-campo.
“É a gestão da bola”, resumiu, orgulhoso Seedorf.
A próxima partida do Corinthians será o clássico, contra o São Paulo, na próxima quarta-feira.
O mando é tricolor, mas como o Morumbi está alugado para o show do grupo coreano BTS, o confronto será na Vila Belmiro. Situação que agradou o Corinthians. Na verdade é um presente tirar a partida do estádio que os jogadores do São Paulo são acostumados a atuar.
Esperto, Seedorf não quis se aprofundar no clássico, que o Corinthians também precisa desesperadamente da vitória.
“Nosso foco era hoje. Obviamente conhecemos o São Paulo.
“Nosso time vai estar com essa intensidade até o final do ano.
“Isso eu posso garantir...”