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Resumo
O Flamengo contesta na Conmebol a escalação de Marcos Rojo pelo Estudiantes na semifinal da Libertadores de 2026, pedindo a vitória por 3 a 0. O atleta atuou sob efeito suspensivo do TAS. O clube carioca pode se amparar em precedentes como a punição da seleção da Malásia, punida pela AFC após decisão do TAS, e o caso Carlos Sánchez em 2018. O julgamento do caso de Rojo no tribunal arbitral está previsto para 12 de novembro, antes da decisão do torneio contra o Palmeiras.
A disputa jurídica envolvendo Flamengo e Estudiantes pela semifinal da Libertadores de 2026 pode ganhar novos argumentos a partir de um episódio ocorrido no futebol asiático. O caso da seleção da Malásia, punida pela utilização de jogadores irregulares, apresenta elementos que podem servir de referência na discussão sobre a inscrição de Marcos Rojo.
A controvérsia envolvendo a Malásia começou em 2025, quando a FIFA identificou irregularidades em documentos utilizados para comprovar a elegibilidade de sete jogadores naturalizados. Após a investigação, a entidade suspendeu os atletas por 12 meses e aplicou uma multa de 350 mil francos suíços à federação local.
Em 26 de janeiro de 2026, o Tribunal Arbitral do Esporte (TAS) suspendeu provisoriamente as punições individuais enquanto analisava os recursos apresentados.
A decisão definitiva, anunciada em 5 de março, manteve as suspensões de 12 meses, mas restringiu sua aplicação às partidas oficiais.
As consequências também atingiram a seleção. Em 17 de março, a Confederação Asiática de Futebol (AFC) determinou que duas vitórias da Malásia, contra Nepal e Vietnã, fossem transformadas em derrotas por 3 a 0.
A punição comprometeu a campanha da equipe nas Eliminatórias da Copa da Ásia de 2027. A federação também recebeu uma multa adicional de US$ 50 mil.
O episódio chama a atenção porque demonstra que uma autorização provisória do TAS não impede necessariamente a aplicação posterior de sanções esportivas.
Essa circunstância pode ser relevante para a disputa envolvendo Flamengo e Estudiantes.
O clube argentino solicitou à Conmebol, em 9 de outubro, a inscrição de Marcos Rojo para substituir um jogador lesionado. A entidade consultou a FIFA e rejeitou o pedido nos dias 14 e 15, considerando as regras sobre períodos de transferência.
O Estudiantes recorreu ao TAS e conseguiu, em 21 de outubro, uma autorização provisória para utilizar o defensor na semifinal.
Rojo foi titular no Maracanã e permaneceu em campo até os 30 minutos do segundo tempo. O Estudiantes conquistou a classificação nos pênaltis, eliminando o Flamengo.
Após a partida, o clube carioca apresentou uma reclamação formal à Conmebol, questionando a regularidade da escalação.
Em nota oficial divulgada no sábado (24 de outubro), o Flamengo destacou que o TAS autorizou provisoriamente a participação de Rojo, mas não afastou eventuais consequências esportivas e disciplinares.
Esse detalhe é importante porque a autorização concedida ao Estudiantes não representa necessariamente uma decisão definitiva sobre a regularidade da inscrição.
Além do episódio envolvendo a Malásia, o Flamengo conta com um precedente mais próximo na própria Libertadores.
Em 2018, o Santos foi punido pela Conmebol após escalar Carlos Sánchez contra o Independiente, pelas oitavas de final. O jogador tinha uma suspensão pendente, e a entidade alterou o resultado da partida para uma derrota por 3 a 0.
O artigo 19 do Código Disciplinar da Conmebol prevê essa penalidade para equipes consideradas responsáveis pela escalação irregular de jogadores.
Na reclamação apresentada contra o Estudiantes, o Flamengo solicita a aplicação da mesma punição.
Existe, contudo, uma diferença importante entre os processos. A Malásia foi punida por irregularidades documentais envolvendo a elegibilidade de atletas, enquanto a discussão sobre Rojo está relacionada às regras de inscrição e transferência.
Além disso, o defensor argentino entrou em campo respaldado por uma medida provisória concedida pelo próprio TAS, circunstância que deverá ser considerada na análise jurídica.
Não há confirmação de que o Flamengo esteja utilizando formalmente o caso da Malásia em sua argumentação. A relação entre os episódios representa uma possível analogia jurídica, sem garantir que a Conmebol adote o mesmo entendimento.
Segundo informações divulgadas pelo jornalista Renan Moura, da Rádio Globo, o julgamento do caso Rojo no TAS está previsto para 12 de novembro.
A data antecede a final da Libertadores, marcada para 28 de novembro, em Montevidéu, no Uruguai.