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O Santos aparentemente deixará para depois da eleição presidencial boa parte das definições envolvendo Neymar, Philippe Coutinho, Everton Cebolinha, Arthur e Gabigol. É compreensível que exista cautela antes de assumir compromissos financeiros para 2027. Mas existe uma decisão que, independentemente de quem vencer a eleição, deveria estar acima das disputas políticas do clube: manter a espinha dorsal desse elenco.
Marcelo Teixeira pode continuar no comando ou uma nova administração pode assumir o Santos. O resultado das urnas pertence ao associado. Dentro de campo, porém, a próxima gestão encontrará uma realidade difícil de ignorar.
Esses jogadores mudaram o patamar do Peixe.
Neymar, mesmo convivendo com problemas físicos durante a temporada, continua sendo um jogador muito acima da média do futebol brasileiro. Quando está disponível e consegue sequência, muda o comportamento do Santos e aumenta o nível técnico de quem está ao redor.
Gabigol também voltou a mostrar sua capacidade. Concentrado no futebol e cercado por jogadores capazes de encontrá-lo em boas condições, continua sendo um atacante extremamente decisivo.
Cebolinha entrega algo escasso no futebol brasileiro: o drible. É um jogador que consegue quebrar uma defesa no confronto individual e criar uma jogada onde aparentemente não existe espaço.
E Coutinho dispensa grandes apresentações. Pode ter atravessado momentos difíceis antes de chegar ao Santos, mas qualidade técnica não desaparece. É um jogador formado para atuar no mais alto nível europeu e que, mesmo ainda buscando sua melhor condição física, já demonstrou capacidade para decidir.
Arthur completa um grupo que aumentou consideravelmente as alternativas do elenco.
O mais impressionante é que esse grupo praticamente não teve tempo de preparação.
Os jogadores chegaram em momentos diferentes, precisaram ganhar condição durante a temporada e foram aprendendo a jogar juntos dentro das próprias partidas. Ainda assim, a resposta apareceu.
Isso deveria fazer o Santos imaginar o que esse elenco poderia produzir com uma pré-temporada completa, maior entrosamento e um planejamento iniciado desde janeiro.
Desmontar esse núcleo significaria voltar alguns passos justamente quando o clube começa a encontrar uma identidade competitiva.
Flamengo e Palmeiras continuam em outro estágio de projeto. São anos de estabilidade, investimentos e conquistas que não podem ser apagados por algumas boas partidas do Santos.
Mas olhando exclusivamente para qualidade de elenco e potencial técnico, o Peixe começou a diminuir essa distância.
Com Neymar, Coutinho, Gabigol, Cebolinha e outros jogadores importantes, o Santos consegue entrar em campo acreditando que pode competir contra qualquer adversário brasileiro.
Agora falta transformar potencial em continuidade.
Por isso, a eleição não deveria mudar a prioridade. Marcelo Teixeira ou qualquer outro presidente que assumir o Santos precisa tentar manter esses jogadores por pelo menos mais uma temporada.
Depois de tanto tempo procurando um caminho, o pior erro seria encontrar uma base competitiva e decidir começar tudo outra vez.