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‘Quero chegar à Fórmula 1′: aos 15 anos, piloto brasileira acelera em busca de sonho histórico

Vicky Farfus acumula resultados expressivos na Europa e sonha em se tornar a primeira brasileira a disputar uma corrida na categoria

Vicky Farfus, de 15 anos, sonha em fazer história e se tornar a primeira brasileira a disputar uma corrida de Fórmula 1.

Aos 15 anos, Vicky Farfus já sabe muito bem onde quer chegar: à Fórmula 1. Filha do piloto Augusto Farfus, a jovem brasileira começou no kart aos 11 anos e, desde então, vem construindo uma trajetória no automobilismo internacional. Depois de competir em categorias de base na Europa, deu mais um passo importante na carreira ao estrear na Fórmula 4 italiana, em Monza.

Agora, Vicky se prepara para acelerar em casa. A piloto estará na F4 Brasil em Interlagos, durante o fim de semana do Grande Prêmio de São Paulo de Fórmula 1. A participação acontece depois de outro resultado expressivo: ela liderou o teste de novatas da F1 Academy e conquistou seus primeiros pontos em categorias de monopostos na Europa. O objetivo é ambicioso: “Estou fazendo as categorias que qualquer outro menino faria para chegar à Fórmula 1”, afirma.

A missão é longa. Até hoje, apenas cinco mulheres tentaram se classificar para o grid de um GP na Fórmula 1 – a última delas foi a italiana Giovanna Amati, com a Brabham, em 1992. Duas pilotos conseguiram de fato largar em uma corrida: as também italianas Maria Teresa de Filippis, na década de 1950, e Lella Lombardi, que disputou 12 provas nos anos 1970 e chegou a pontuar com um sexto lugar no GP da Espanha de 1975.

Em entrevista ao R7, Vicky falou sobre os desafios de construir uma carreira em um esporte que exige grandes investimentos, a experiência de ter o pai como mentor e a vontade de abrir caminhos para outras mulheres no automobilismo.

“Quero inspirar as meninas que têm interesse no automobilismo”, diz a piloto, que também contou como concilia a rotina de atleta com os estudos e a vida de adolescente. Sem esconder a ambição, ela quer se tornar a primeira brasileira a disputar uma corrida de Fórmula 1.

Veja a entrevista na íntegra:

Vicky Farfus se prepara para acelerar na F4 Brasil e ganhar experiência em uma das pistas mais tradicionais do automobilismo mundial: Interlagos.

R7: Como começou seu interesse pelo automobilismo? Com quantos anos você percebeu que queria seguir esse caminho?

Vicky Farfus: Eu comecei com 11 anos. Como meu pai é piloto, eu acompanhava as corridas desde pequena. Até os meus 3 ou 4 anos, assistia a ele nas pistas e sempre o achei o máximo, mas nunca tinha pensado que um dia também iria correr. Até que um dia meu irmão falou: “Pai, eu quero andar de kart!”. E eu respondi: “Pai, eu também quero!”. Desde o dia em que sentei naquele kart, nunca vou me esquecer: eu me apaixonei. Foi naquele momento que soube que queria fazer disso a minha profissão.

R7: Você começou no kart e, depois, foi avançando pelas categorias. Como aconteceu essa transição? Quanto tempo ficou no kart e quais foram os próximos passos?

Vicky Farfus: Eu comecei um pouco mais tarde, porque os meninos geralmente começam com 5 ou 6 anos. Então, precisei acelerar meu processo entre as categorias, já que comecei cerca de cinco anos depois deles. Fiz meio ano na categoria Kart Mini para aprender, porque não sabia como as coisas funcionavam. Foi um período para entender os fundamentos e conhecer a rotina de um fim de semana de corrida. Depois, fui direto para a OK-NJ, onde competi por um ano e meio. Também disputei um campeonato mundial e outras competições de alto nível.

Neste ano, vivi uma transição entre o kart e os carros. Corri na Inglaterra na Ginetta Junior, um dos poucos campeonatos do mundo em que é possível competir de carro aos 14 anos. O Lando Norris também passou por essa categoria, que é uma ótima base para aprender a correr de carro.

Depois, fiz minha estreia na Fórmula 4, duas semanas atrás, no campeonato italiano, em Monza. Foi muito bom: consegui terminar na 12ª posição na classificação geral, em uma categoria de nível muito alto.

R7: Agora você também vai correr na F4 Brasil, em Interlagos, no mesmo fim de semana do GP de São Paulo. Qual é a expectativa para essa estreia?

Vicky Farfus: Estou me preparando bastante no simulador, na academia e em tudo o que possa contribuir para o fim de semana. Vou para lá com o objetivo de aprender, entender como funciona a corrida e aproveitar essa experiência. Mas também estou com a expectativa alta. Acho que será um fim de semana muito bom.

R7: Seu foco é chegar à Fórmula 1?

Vicky Farfus: Sim. Estou seguindo as mesmas categorias que qualquer outro menino seguiria para chegar à Fórmula 1.

R7: Qual é o maior desafio para transformar esse sonho em realidade?

Vicky Farfus: Acho que o maior desafio é o lado financeiro, porque é um esporte que custa bastante. Conseguir patrocínios nem sempre é fácil. Acredito que esse seja o principal desafio.

R7: Por ser mulher em uma categoria predominantemente masculina, você sente que isso dificulta sua trajetória ou encara essa realidade de outra maneira?

Vicky Farfus: Na verdade, encaro isso como uma motivação. Os meninos não gostam muito de ver uma menina na frente deles, ainda mais quando eu corria com meu kart rosa, porque todo mundo sabia que era eu. Mas uso isso como motivação para mostrar que uma menina também é capaz de ultrapassá-los e competir de igual para igual.

Também quero inspirar as meninas que têm interesse no automobilismo, para que elas vejam que são capazes de chegar ao mais alto nível do esporte.

R7: Você carrega um sobrenome muito conhecido no automobilismo, o Farfus. Isso é um motivador ou faz com que você sinta que precisa provar ainda mais seu talento?

Vicky Farfus: Na verdade, tenho muito orgulho de carregar o nome Farfus e de fazer parte da carreira que meu pai construiu. Ele saiu de Curitiba, chegou a Mônaco e construiu uma trajetória como piloto ao longo de mais de 20 anos. Existe uma história muito grande por trás desse nome, com muita dedicação.

Muitas pessoas esperam bastante de mim, mas acho que carregar o nome Farfus é algo muito positivo. É como um empurrão a mais para mostrar até onde posso chegar.

R7: Atualmente, seu pai também é seu treinador e conselheiro. Como funciona essa relação entre pai e filha dentro e fora das pistas? Vocês conseguem separar esses papéis?

Vicky Farfus: Meu pai sempre viajou muito e, desde que comecei a correr, nossa relação cresceu ainda mais. Passamos a viajar juntos para as corridas e continuamos fazendo isso sempre que ele pode. Nossa relação ficou muito mais forte, e acho isso maravilhoso.

É muito bom ter um pai que já passou por essa experiência. Ele pode me ensinar com base nos erros que cometeu e nas coisas que poderia ter feito melhor, para que eu não repita os mesmos erros e consiga aprender mais rápido. Acho muito bom ter um pai que também é piloto.

R7: Como você concilia a rotina de atleta, com viagens, treinos e campeonatos, os estudos e a vida de adolescente de 15 anos?

Vicky Farfus: Quase nunca tenho dias em casa. Quando estou, tento me concentrar na escola. A instituição me ajuda muito e entende minha rotina, oferecendo a possibilidade de acompanhar as matérias online quando necessário. Há outros alunos de alto nível na escola, então eles são muito flexíveis comigo.

Quando estou em casa, também tento aproveitar ao máximo o tempo com minhas amigas, porque acho importante ter uma vida social. Gosto de sair e me divertir com elas.

Mas todos os dias em que estou em Mônaco, tento fazer 1% a mais para melhorar fora das pistas. Pode ser um treino na academia ou uma sessão no simulador, mas procuro evoluir um pouquinho todos os dias para chegar ao meu objetivo. Tento conciliar tudo, porque acredito que é importante ter um pouco de cada coisa.

R7: Você começou no automobilismo aos 11 anos. Em algum momento, nesses quatro anos de trajetória, pensou em desistir ou teve dúvidas sobre seguir carreira?

Vicky Farfus: Nunca tive um momento de dúvida. O automobilismo me ensinou muitas lições que vou levar para a vida. Às vezes, estou lá embaixo; em outras, estou lá em cima. Mas não é porque estou em uma fase difícil que tenho que desistir. Preciso lutar ainda mais para chegar mais alto. Nunca passou pela minha cabeça abandonar esse sonho.

R7: Seu objetivo é chegar à Fórmula 1. Caso consiga realizar esse sonho, sendo uma mulher brasileira, que tipo de mudança você acredita que pode trazer para a categoria?

Vicky Farfus: Acho que muitas pessoas no mundo inteiro ainda pensam que o automobilismo é um esporte de homens. Mas, na verdade, é um dos poucos esportes em que uma mulher pode competir diretamente com um homem.

No futebol, por exemplo, homens e mulheres não competem juntos, porque a força física é determinante. No automobilismo, ela é importante, mas não é o fator mais importante. Talvez eu precise trabalhar três vezes mais do que um homem para ter a mesma força física, mas isso não vai me limitar.

Acredito que, se conseguir chegar à Fórmula 1, vou abrir muitas portas para outras meninas, para que elas também tenham sonhos grandes e acreditem que podem chegar lá. Quero mostrar que as mulheres também podem competir no mais alto nível do automobilismo.

A jovem piloto vê a presença feminina nas pistas como uma oportunidade de inspirar outras meninas a seguirem carreira no automobilismo.

R7: Quando não está estudando ou treinando, o que você gosta de fazer para relaxar e aproveitar a vida fora das pistas?

Vicky Farfus: Tenho dois lados: um mais feminino e social e outro mais ligado ao meu lado de piloto. Gosto muito de passar tempo com meus amigos, minha família e meu irmão. Também gosto de jogar videogame com ele, porque ele adora. Além disso, gosto de passear com meus cachorros e escutar música.

R7: Você também faz musculação e preparação física?

Vicky Farfus: Sim. A força física é muito importante nesse esporte, e não quero que ela seja um fator limitante para mim. Quero estar sempre na minha melhor condição física para conseguir pilotar na categoria em que estiver competindo.

R7: Para finalizar: você está preparando alguma novidade para a corrida em Interlagos? O carro terá uma pintura especial, adesivos ou um capacete diferente?

Vicky Farfus: O carro terá uma grande referência visual ao patrocinador master. O capacete também será de acordo com outro patrocinador, e terá meu nome em destaque também.

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