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Palmeiras e Vasco se enfrentam neste domingo no Nubank Parque (SP), pelo jogo de ida das semifinais da Copa do Brasil, tendo como um dos personagens principais dos bastidores Marcos Lamacchia, enteado de Leila Pereira, presidente do Alviverde. Por detalhes de se tornar o novo dono da SAF vascaína, ele já ajudou ativamente o clube carioca na última janela de transferências mesmo antes de ter seu negócio aprovado pelos sócios cruzmaltinos.
O Vasco contratou três reforços de impacto neste segundo semestre: os argentinos Santiago Sosa, Allan Lescano e Facundo Colidio, num montante que chega próximo dos R$ 95 milhões.
E Lamacchia teve papel fundamental na viabilização das contratações. Não necessariamente por aportar o dinheiro diretamente a Racing, Argentinos Juniors e River Plate, mas por ser a garantia financeira que os clubes do país vizinho precisavam para se sentirem tranquilos em dar o "ok" para a venda.
Como a composição da SAF já era tratada como algo iminente, o Vasco apresentou os investimentos que serão feitos pelo empresário (R$ 500 milhões somente para o futebol) como trunfo para se mostrar apto a ter condições de cumprir as parcelas projetadas nos negócios.
Marcos Lamacchia, na ocasião, foi consultado pela diretoria de Pedrinho e sinalizou positivamente para o fechamento das operações.
Em Assembleia Geral Extraordinária realizada no último dia 23, os sócios do Vasco da Gama aprovaram, em sua maioria, a venda da SAF para a Almirante Participações, empresa criada por Marcos Lamacchia junto com seu sócio Mário Junqueira.
A aprovação foi de 90,6%. Foram 4675 votos concordando com o negócio, 437 contra e 48 abstenções.
Além da venda da SAF para a Almirante Participações, os sócios também aprovaram uma alteração no estatuto que reduz de 20% para 10% a participação mínima do clube associativo na sociedade, algo que viabiliza 90% das ações ao grupo de Lamacchia.
Após a aprovação dos sócios, Mário Junqueira foi questionado sobre o suposto conflito de interesses acusado por rivais, principalmente o presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista. O empresário se mostrou tranquilo em relação às investigações tanto da Anresf quanto do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).
São processos, né? Questões em andamento. O Cade foi agora recentemente. Acho até que tem um overlaping entre ele e a Anresf nas mesmas questões, mas estou muito tranquilo. A Almirante Participações é do Marcos Lamacchia e minha, e nós somos separados de qualquer outro clube
Mário Junqueira, sócio de Lamacchia na SAF do Vasco
Junqueira aproveitou para provocar o Palmeiras, dizendo que o Vasco sairá vencedor do confronto pela Copa do Brasil:
Nós estamos tranquilos que somos Vasco da Gama. E eu já falei que eu vou provar isso lá (no Nubank Parque), quando a gente jogar contra o Palmeiras. Nós vamos ganhar do Palmeiras
Mário Junqueira, sócio de Lamacchia na SAF do Vasco
O grupo de Lamacchia ainda não assume a cadeira da SAF de imediato. Isso porque ainda ocorre uma investigação da Anresf (Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol) sobre suposto conflito de interesse do empresário em função de sua relação de enteado com Leila Pereira.
O regulamento da Anresf — que é um órgão da CBF — proíbe que uma pessoa física ou jurídica tenha, direta ou indiretamente, controle ou influência significativa sobre mais de um clube.
A Almirante Participações já tem a seu favor um parecer favorável do Ministério Público em relação à homologação do leilão da SAF realizado pela Justiça no dia 25 de setembro.
Como o UOL Prime relevou, a Almirante ainda nasceu com uma participação indireta de Leila e passou pelo controle total de seu marido, José Roberto Lamacchia, antes de chegar a Marcos, filho de José Roberto.
Enquanto a investigação segue em curso, a Anresf já proibiu Vasco e Palmeiras de realizarem negócios entre si.
A Almirante Participações, por sua vez, afirma que fará qualquer tipo de adequação que a Anresf determinar na SAF enquanto perdurar o mandato de Leila Pereira no Palmeiras, que vai até dezembro de 2027.
A questão do conflito de interesses para mim é zero. Zero, zero, zero. E eu vou respeitar todos os critérios estipulados pela CBF. Porque, se a CBF determinar, vai ser feita. Mas eu não vejo problema nenhum
Pedrinho, presidente do Vasco, após a aprovação da venda
Com base nos termos do contrato, o investimento da Almirante Participações pode ultrapassar os R$ 2 bilhões considerando os valores fixos ao futebol, mais os aportes em infraestrutura e a assunção das dívidas e obrigações.
Eles estão divididos da seguinte forma:
Aporte de R$ 100 milhões anuais até totalizar R$ 500 milhões exclusivamente para o futebol.
R$ 150 milhões para infraestrutura de CT do profissional e base.
A Almirante Participações assume a totalidade dos ativos esportivos e das dívidas da SAF Vasco com uma obrigação adicional: se faltar dinheiro para cumprir compromissos relacionados à recuperação judicial, dívidas tributárias, obrigações extraconcursais, fluxo de caixa ou infraestrutura, Lamacchia terá de colocar recursos adicionais sem aumentar sua participação. Daí a estimativa de aproximadamente R$ 1,5 bilhão somente neste ponto.