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O Corinthians está próximo de dar um novo passo para reformular a operação de venda de ingressos e os serviços oferecidos aos torcedores. O clube aguarda o parecer do departamento jurídico para avançar nas tratativas com a Fever, empresa que negocia assumir as atividades atualmente realizadas pela OneFan. A proposta prevê uma operação que pode render até R$ 70 milhões ao Alvinegro ainda em 2026.
O primeiro compromisso financeiro previsto no memorando de entendimento é de R$ 50 milhões. O montante será dividido entre luvas, patrocínio e antecipação de receitas referentes aos serviços que serão prestados pela companhia. Além disso, o Corinthians poderá receber outros R$ 20 milhões em novos adiantamentos, desde que o contrato definitivo seja formalizado, conforme informações do UOL.
A proposta já foi analisada por parte dos setores envolvidos na negociação e está, neste momento, nas mãos do departamento jurídico. Após a conclusão dessa etapa, caberá ao presidente Osmar Stabile dar a palavra final sobre o andamento do negócio.
A assinatura do memorando permitirá que a Fever faça o primeiro pagamento de R$ 50 milhões. Entretanto, existe uma condição para o repasse: caso o Corinthians receba a quantia, mas não concretize posteriormente o contrato definitivo, terá de devolver o dinheiro com um acréscimo de 10%, segundo informações do ge.
É importante destacar que o valor não corresponde a um empréstimo independente da operação de bilheteria. A quantia engloba diferentes modalidades de pagamento, incluindo luvas, patrocínio antecipado e adiantamento de receitas que serão abatidas durante a execução dos serviços.
As contrapartidas comerciais, como espaços para exposição da marca, ações de patrocínio e o período de duração da parceria, ainda serão definidos depois da aprovação do memorando. O mesmo vale para as condições que permitirão ao Corinthians receber os R$ 20 milhões adicionais previstos na proposta.
A negociação entre as partes não se limita à comercialização de ingressos. A Fever também pretende assumir a administração do sistema Fiel Torcedor e do aplicativo utilizado pelos associados do programa. Outra possibilidade é incorporar o controle de acesso à Neo Química Arena, atividade que atualmente está sob responsabilidade da Ligatech.
Um dos fatores que pesam a favor da proposta é o custo dos serviços. De acordo com apuração do UOL, a Fever oferece um percentual sobre a receita de bilheteria inferior aos 6% cobrados atualmente pela OneFan.
O Corinthians também levou em consideração outras três propostas recebidas ou pesquisadas pelo clube, além das condições estabelecidas no contrato com a atual prestadora dos serviços.
A aproximação com a Fever teve início a partir de uma indicação de Marcelo Paz, ex-executivo de futebol do Corinthians. Em 2024, quando ocupava o cargo de CEO do Fortaleza, ele conheceu a estrutura da empresa durante uma visita à Espanha. Na ocasião, estava acompanhado de Thiago Ayres, que trabalhava como executivo de operações do clube cearense e atualmente coordena a área administrativa do futebol corintiano.
Paz apresentou a companhia ao Corinthians no começo de 2026, período em que o clube também mantinha conversas com a Ticketmaster e a Ingresse.
Na fase mais recente da avaliação, o departamento financeiro ganhou protagonismo para fortalecer a alternativa oferecida pela Fever. André Lavieri, responsável pelas finanças do Alvinegro, atua por meio da Alvarez & Marsal, empresa que possui parcerias comerciais com a Fever em outros clubes e recomenda os serviços da companhia.
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Apesar do avanço nas negociações, uma eventual substituição da prestadora de serviços enfrenta um obstáculo importante: os contratos atualmente em vigor com a OneFan.
A empresa possui dois acordos distintos com o Corinthians, um relacionado à comercialização de ingressos e outro referente à operação do Fiel Torcedor e de seu aplicativo. Juntos, os contratos estabelecem multas que podem chegar a aproximadamente R$ 40 milhões em caso de encerramento antecipado.
A situação também envolve a Ligatech, responsável pelo controle de acesso à Neo Química Arena. Nesse caso, o contrato prevê uma cobrança em caso de rescisão, mas o valor é inferior a R$ 1 milhão.
A OneFan já se movimentou para impedir que o Corinthians encerre unilateralmente a parceria. Nesta sexta-feira (30), a empresa encaminhou uma notificação ao clube solicitando que os acordos não sejam rompidos por decisão exclusiva da diretoria.
O documento, obtido pelo UOL, foi enviado ao presidente Osmar Stabile e ao presidente do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Júnior.
Na notificação, a companhia sustenta que uma eventual rescisão sem justificativa exige o cumprimento de aviso prévio de 12 meses, além da devolução proporcional das luvas e do pagamento de uma multa correspondente a 10 vezes a média mensal do faturamento bruto da corporação nos últimos 12 meses.
O Corinthians, por outro lado, entende que possui argumentos para questionar as cobranças apresentadas pela empresa. Entre os pontos levantados pelo clube está a alegação de que determinados serviços previstos nos contratos não teriam sido entregues. A diretoria também analisa documentos nos quais as próprias empresas reconheceram a existência de dívidas entre si.
A OneFan afirma ter exclusividade sobre a venda de ingressos do Corinthians até 2032 e nega qualquer descumprimento das obrigações previstas nos contratos. A companhia também alega que o clube possui pagamentos pendentes relacionados à utilização de servidores e à operação das partidas.
Diante da possibilidade de substituição, a empresa ameaça acionar a Justiça para tentar preservar os acordos, cobrar eventuais prejuízos e adotar outras medidas legais.
A notificação encaminhada à diretoria também faz referência a informações divulgadas sobre uma possível parceria de 15 anos com a Fever. O documento menciona o pagamento imediato de R$ 50 milhões e a possibilidade de antecipação de até R$ 250 milhões, com juros equivalentes ao CDI mais 4% ao ano.
A possibilidade de um confronto judicial, no entanto, divide opiniões entre os dirigentes corintianos.
Enquanto uma ala da diretoria defende enfrentar uma eventual disputa na Justiça para viabilizar o acordo com a Fever, outro grupo considera mais adequado buscar uma solução negociada diretamente com a OneFan, tentando encerrar os contratos de maneira consensual.
Dessa forma, embora a proposta da Fever represente uma possibilidade de entrada imediata de recursos e redução dos custos operacionais, a concretização do negócio ainda depende tanto da aprovação jurídica quanto da resolução dos impasses contratuais com as atuais prestadoras de serviço.