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Aos 51 anos, ginasta mira nona Olimpíada e revela por que não pensa em parar

Oksana Chusovitina, medalhista olímpica e dona de 13 pódios em Mundiais e Jogos, quer disputar Los Angeles 2028 e diz que a ginástica lhe trouxe mais do que uma vida fora do esporte

Oksana Chusovitina: ginasta de 51 anos não pensa em aposentadoria (Reprodução)

Aos 51 anos, a ginasta uzbeque ainda acorda com vontade de treinar. Medalhista olímpica e dona de uma carreira que atravessa mais de três décadas, ela segue competindo em alto nível e tem um novo objetivo: conquistar uma vaga nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028, quando poderá fazer sua nona participação na principal competição esportiva do mundo.

, Chusovitina contou que não sente dores nem incômodos ao acordar. Pelo contrário, diz que o corpo pede para voltar à academia, onde treina seis dias por semana.

“Meu corpo e meus músculos precisam de treino. Eu gosto e meus músculos precisam disso. Saio do treino ansiosa para que chegue o dia seguinte e eu possa voltar à academia”, afirmou.

A ginasta voltou às manchetes em setembro, quando chegou à final do salto sobre a mesa nos Jogos Asiáticos de 2026, em Nagoya, no Japão. Ela terminou em quinto lugar na classificação geral e reafirmou o desejo de disputar os Jogos de Los Angeles. Sua primeira participação olímpica ocorreu em Barcelona, em 1992, quando tinha 17 anos.

“Penso nos Jogos Olímpicos o tempo todo”, disse. E também revelou que "quer muito lutar por uma vaga nos Jogos de 2028" ao falar sobre a possibilidade de competir aos 53 anos.

Como Chusovitina construiu uma carreira de mais de 30 anos?

Chusovitina começou na ginástica aos sete anos, quase por acaso. Seu irmão mais velho a levou para uma aula enquanto os pais trabalhavam. Ela conta que não se considerava uma criança talentosa, mas se apaixonou pela modalidade desde o primeiro contato. “Corri pelo corredor, pulei, fiz tudo o que quis e não fui repreendida por isso”, relembrou.

Aos 17 anos, ela integrou a Equipe Unificada, formada após o fim da União Soviética, nos Jogos de Barcelona. A equipe conquistou a medalha de ouro na competição por equipes. Ao longo da carreira, Chusovitina acumulou 13 medalhas em campeonatos mundiais e olímpicos, incluindo nove em Mundiais no salto sobre a mesa, aparelho em que se especializou.

A ginasta também competiu pela Alemanha entre 2006 e 2012. A mudança ocorreu após seu filho, Alisher, ser diagnosticado com leucemia linfoblástica aguda em 2002, aos três anos. A família foi para a Alemanha em busca de tratamento no Hospital Universitário de Colônia, em um período em que doações e eventos beneficentes ajudaram a custear os cuidados médicos.

Nos Jogos de Pequim, em 2008, Chusovitina conquistou a medalha de prata no salto representando a Alemanha. Na ocasião, dedicou o resultado às pessoas que ajudaram seu filho a receber tratamento. Alisher se recuperou e, segundo a ginasta, está bem.

Segundo o The Athletic, experiência mudou sua maneira de enxergar a carreira. Em vez de destacar os sacrifícios necessários para permanecer no esporte, ela valoriza as oportunidades que a ginástica proporcionou à família.

“O mundo da ginástica me ajudou a lidar com aquele diagnóstico terrível do meu filho. Posso dizer que não me arrependo nem por um segundo do que aconteceu na minha carreira. A ginástica artística me deu muito mais do que uma vida comum fora do esporte profissional poderia ter me dado.”

Qual é o segredo para competir aos 51 anos?

Chusovitina afirma que não segue uma dieta especial nem depende de suplementos para continuar competindo. Ela diz que come de tudo, incluindo doces, mas sem exageros. A rotina de treinamento também mudou: aos 21 anos, chegava a treinar de sete a oito horas por dia, divididas em duas ou três sessões. Atualmente, são cerca de três horas diárias, seis vezes por semana, com flexibilidade para descansar quando sente necessidade.

As lesões fizeram parte da trajetória. Ela sofreu duas rupturas do tendão de Aquiles, separadas por quase uma década, mas não considera que esses episódios precisem encerrar sua carreira.

“Não dou muita importância a elas. Sabe, depois dos Jogos Olímpicos vêm os Jogos Paralímpicos, onde os atletas treinam e competem — alguns sem braços, outros sem pernas. Então você se esquece imediatamente das suas próprias lesões", falou ao veículo.

A experiência acumulada também influencia sua relação com a pressão. Para Chusovitina, a idade pode ser uma vantagem, porque ela conhece melhor o próprio corpo e sabe como lidar com o nervosismo antes das apresentações.

“Já não existe aquele nervosismo frenético antes de uma tentativa”, explicou. “Tanto a minha cabeça como o meu corpo já sabem o que precisa ser feito. Você pensa: ‘Bem, agora deixe os mais jovens se preocuparem e ficarem nervosos’”.

Mesmo com décadas de experiência, ela continua trabalhando com um treinador e considera essa relação essencial para qualquer atleta. 

Quando Chusovitina pretende se aposentar?

A ginasta já anunciou aposentadoria uma vez, após o adiamento dos Jogos de Tóquio, em 2021, mas voltou atrás. Em declaração posterior ao Olympics.com, reconheceu que se precipitou ao tomar a decisão.

Agora, o objetivo é chegar a Los Angeles 2028. Caso consiga a classificação, Chusovitina disputará sua nona Olimpíada, aos 53 anos. A vaga, porém, ainda depende do processo classificatório.

A atleta diz não entender completamente o fascínio em torno de sua longevidade no esporte, mas reconhece que sua trajetória pode servir de exemplo, especialmente para ginastas que retomam a carreira depois de terem filhos.

Para ela, o fim só chegará quando a modalidade deixar de proporcionar "prazer e satisfação".

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