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Dos R$ 17,3 bilhões que os times da Série A carregavam como dívidas para o começo de 2026, o maior peso estava na união de compromissos trabalhistas, impostos e parcelamentos fiscais.
Esse combo foi responsável por 30% do valor total, segundo o levantamento feito pela Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf) — o órgão da CBF que controla o fair play financeiro.
Em números absolutos, isso quer dizer que os clubes somaram endividamento de R$ 5,13 bilhões nesse quesito.
A diferença é relativamente pequena na comparação com o segundo item que mais pesava no cenário de endividamento da elite nacional: transferências.
Os valores a pagar na aquisição de jogadores bateram R$ 4,85 bilhões na virada de 2025 para 2026, como já mostrou o UOL. Na fatia do endividamento, isso corresponde a 28% das dívidas na Série A.
Pelos relatório da Anresf, um terceiro item completa a fatia: empréstimos e similares. Nisso, entram financiamentos e valores a pagar em recuperação judicial.
Com esse top-3 de itens de endividamento, é possível identificar a origem de 83% das dívidas dos clubes da Série A.
Olhando especificamente para o quadro das transferências, a existência da dívida, por si só, pode não ser um problema.
Para identificar se um cenário é grave, é preciso avaliar o contexto de cada clube, cruzando os valores com as receitas e a capacidade de pagamento. Além disso, a existência da dívida não significa calote ou pagamentos em atraso.
Mas um outro levantamento da Anresf ajuda a estabelecer um cenário mais amplo e preciso sobre a capacidade — ou falta dela — que os clubes estão para cumprir seus compromissos no dia a dia.
Considerando os relatórios do meio do ano, tendo 30 de junho como data de recorte, 13 de 20 clubes da Série A declararam alguma dívida em atraso.
Atlético-MG, Botafogo, Corinthians, Coritiba, Fluminense, Grêmio, Internacional, Remo, Santos, São Paulo, Vasco e Vitória registraram à Anresf algum atraso com impostos/compromisso junto ao poder púbico. Isso dialoga com o fato de esse tipo de endividamento ser mais o representativo na virada do ano.
O que Anresf tem feito inicialmente é recumendar o pagamento e dar advertências a quem atrasou algum tipo de parcelamento tributário.
Para dívidas com outros clubes, há quatro casos mais graves, envolvendo dívidas de transferências, que receberam um tranfer ban condicional: se em até 45 dias não quitarem valores atrasados, Atlético-MG, São Paulo, Grêmio e Inter podem ficar proibidos de registrar novos jogadores.
Quem escapou ileso de qualquer pendência em atraso, de qualquer natureza, no levantamento do meio do ano? Bahia, Chapecoense, Flamengo, Mirassol, Palmeiras e Red Bull Bragantino.