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São Paulo, Brasil
“A gente convidou vocês.
“Vocês são hóspedes aqui.
“A gente quer fazer papo bom, positivo, com vocês.
“Se tem intenção de ficar falando do passado, a gente não quer.”
Seedorf impediu que Memphis respondesse uma pergunta.
De maneira autoritária, escolhendo qual questionamento seus atletas poderiam se posicionar.
Como um censor.
Foi uma situação bizarra.
Que jamais aconteceu na história do Corinthians.
Seedorf agiu como se eles não tivessem capacidade intelectual para responderem a questionamentos dos jornalistas, com o gigante clube, que o contratou como técnico, na zona do rebaixamento.
O entrevistado era Memphis Depay, o líder do elenco. 32 anos, vivido, maduro, homem de enorme personalidade.
Mas ele teve de ficar calado, por ordem do seu técnico.
A pergunta, do repórter da rádio Bandeirantes, era sobre uma declaração do próprio Memphis, que afirmou que havia gente, dentro do Corinthians, querendo prejudicar o clube.
Quem levantou o assunto foi o próprio Memphis.
Mas Seedorf deu uma demonstração de força, impedindo a resposta.
“Eu já falei semana passada, eu espero que vocês aprendam. A gente está focado para um jogo amanhã. Se vocês querem falar sobre o passado, espera que o ano acabe e faz entrevista individual com ele.
“Não é uma coisa pessoal, mas eu vou me repetir. Eu quero que este grupo fique focado sobre nosso jogo de amanhã. Toda coisa que tem a ver com o passado, ele já respondeu. Já deu.”
A postura de Seedorf provocou revolta.
Um jornalista da TV Gazeta decidiu se posicionar, diante da postura antidemocrática do treinador.
Lembrando que os jornalistas têm o direito de perguntar, desde que respeite as pessoas. Entrevista coletiva é uma questão profissional, que leva ao público o que acontece com os clubes.
“Primeiro, vou pedir para o Seedorf evitar esse tipo de interrupção.
“Como a gente respeita o trabalho de vocês, vocês podem responder da maneira que bem entender, a gente também pergunta o que a gente bem entender. Vocês não são obrigados a responder.”
Seedorf reafirmou sua postura de censor.
Foi quando disse que o Corinthians ‘convidou’ os jornalistas e eles não passavam de ‘hóspedes’.
“A gente não tem obrigação nenhuma de responder todas as perguntas que vocês fazem.
“A gente convidou vocês. Vocês são hóspedes aqui. A gente quer fazer papo bom, positivo com vocês. Se tem intenção de ficar falando do passado, a gente não quer.
“Não é uma coisa pessoal por ninguém aqui. A gente tem uma missão, que não é a sua, então a gente vai proteger tudo que a gente tem para manter o foco.”
O clima ficou tenso.
Ficou claro o rompimento.
O presidente Osmar Stabile foi avisado da situação.
Assim como o executivo de futebol, o ex-goleiro Júlio Cesar.
Tanto Stabile quanto Júlio César decidiram não interferir.
A decisão da censura é de Seedorf.
Os jogadores entendem como uma proteção.
Ou seja, só vão responder as perguntas que o treinador holandês decidir que são boas para o Corinthians.
Deixou claro que quem vai escolher o que os atletas vão falar, ou não, será ele.
Os setoristas, jornalistas que frequentam o Corinthians todos os dias, não são simples hóspedes de Seedorf.
São profissionais preparados para informar os torcedores o que acontece no clube.
Não precisam e nem não se submeter à censura de Seedorf.
O Corinthians faz um péssimo Brasileiro.
Está na zona do rebaixamento.
Fracassou em todos os campeonatos em 2026.
Os questionamentos sobre os motivos que levaram um elenco tão poderoso, dono de uma torcida de cerca de 40 milhões de pessoas, a segunda em número no Brasil, a esse desempenho assustador, são mais do que justos.
Seedorf estava desempregado, como treinador, há sete anos.
Jamais foi campeão como técnico.
Pelo contrário.
Acabou rebaixado com o Deportivo La Coruña.
Como jogador foi excepcional.
Mas seu currículo como treinador é pífio, fraquíssimo.
Mesmo assim, foi contratado a peso de ouro.
300 mil euros por mês, cerca de R$ 1,8 milhão.
Com a prometida premiação especial de 500 mil euros, cerca de R$ 3 milhões, se o Corinthians não cair para a Segunda Divisão.
Em três jogos, empatou com o Vitória, na Neoquímica Arena, perdeu para o Vasco, em São Januário. Venceu o Mirassol, na Neoquímica, com seu time atuando com um jogador a mais, desde os vinte minutos.
Enfrentará o São Paulo amanhã, como visitante, na Vila Belmiro. Com apenas torcedores tricolores nas arquibancadas.
A vitória do Corinthians é obrigatória para a sobrevivência para fugir da zona do rebaixamento.
Seedorf escolheu um péssimo caminho.
O do confronto com os jornalistas.
Trouxe mais um peso para seus atletas.
O Corinthians jamais teve um técnico censor, escolhendo quais perguntas os jogadores poderiam responder.
E que tratasse a imprensa como mera ‘hóspede’...