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Na época passada, o jogo não chegou a acontecer. Entre avanços e recuos, e com uma providência cautelar pelo meio, a Federação Angolana de Futebol manteve o duelo da 19.ª jornada no Estádio 11 de Novembro por razões de segurança, mas o 1.º de Agosto, irredutível quanto a jogar no França Ndalu, faltou à chamada. Os militares acabaram por perder na secretaria, estendendo a passadeira vermelha ao rival rumo à conquista do segundo penta da sua história.
Agora, há contas pendentes que serão resolvidas no relvado do RI20, no França Ndalu.
A falta de segurança, inicialmente apontada como um dos entraves à realização deste jogo de alto risco, deixou de ser problema. No entanto, a intenção de vender ingressos apenas no próprio dia gerou forte contestação, obrigando os militares a recuar e a antecipar a abertura das bilheteiras para a véspera da partida.
João Lusevikueno, presidente da ANCAF, divulgou à comunicação social o plano de segurança delineado para prevenir incidentes entre claques e adeptos. A estratégia passa por concentrar os apoiantes tricolores no Catetão — o centro de estágios do Petro de Luanda —, de onde seguirão a pé até ao estádio adversário sob escolta policial.
Terminado o encontro, os adeptos da casa saem em primeiro lugar e só depois os do Petro, que regressarão ao Catetão novamente escoltados por um cordão de segurança da Polícia Nacional.
No histórico de confrontos diretos, o Petro detém uma ligeira vantagem ao longo de 91 partidas (esta será a 92.ª): soma 33 vitórias, 27 empates e 31 derrotas. Se olharmos apenas para os últimos dez duelos, o registo é de quatro vitórias tricolores, quatro empates e apenas dois triunfos rubro-negros.
Filipe Nzanza, treinador dos militares, apimentou os mais recentes dérbis entre os clubes mais titulados do futebol angolano ao afirmar que o Petro podia ser campeão, mas que, sem vencer o 1.º de Agosto, o título «saberia a arroz sem sal». Alexandre Santos, que comandava o Petro na altura e está agora de volta ao banco, respondeu prontamente que a sua sobremesa de eleição é «arroz-doce».
Entre metáforas gastronómicas de parte a parte, o respeito impera, mas a rivalidade fala mais alto. Alexandre Santos pode ter desdenhado a receita de Nzanza, mas sabe perfeitamente que chegou o momento de provar pela primeira vez o sabor da vitória diante do homólogo e do conjunto militar no campeonato.
As estatísticas comprovam o apetite do técnico português: em três embates contra Filipe Nzanza para o campeonato, nunca venceu. Diante do 1.º de Agosto, o saldo de Alexandre Santos é de apenas um triunfo em seis partidas — um 2-1 na meia-final da Taça de Angola, em junho de 2024. No que toca exclusivamente à liga, o registo é manifestamente adverso: dois empates frente a Srdjan Vasiljevic, além de um empate e duas derrotas contra Nzanza.
Este sábado sobem ao relvado 73 troféus: 45 do Petro (20 Girabolas, 15 Taças de Angola e 10 Supertaças) e 28 do 1.º de Agosto (13 Girabolas, 6 Taças de Angola e 9 Supertaças).
Contando apenas campeonatos nacionais, são 33 troféus em disputa.
Trata-se do quarto dérbi do continente africano com maior palmarés em campo, ficando atrás apenas do dérbi do Cairo (60 títulos, entre Al Ahly e Zamalek), do dérbi de Tunes (46, entre Club Africain e Espérance) e do dérbi de Casablanca (35, entre Wydad e Raja). Fica mesmo à frente do dérbi do Soweto, na África do Sul — disputado este fim de semana entre Kaizer Chiefs e Orlando Pirates (21 títulos).
Ambos os emblemas vêm de um período de euforia com a qualificação para a fase de grupos das competições africanas: o Petro assegurou a presença na Liga dos Campeões graças a uma reviravolta épica na reestreia de Alexandre Santos, enquanto o 1.º de Agosto carimbou o regresso à Taça da Confederação ao afastar o Virunga. Contudo, a ressaca competitiva fez-se sentir de imediato.
Nas jornadas que antecederam o clássico, o Petro não foi além de um empate a um golo diante do Bravos do Maquis, ao passo que o 1.º de Agosto caiu derrotado frente ao Recreativo da Caála.
Na tabela classificativa, o Petro de Luanda ocupa a 3.ª posição com 15 pontos e apenas um golo sofrido — a quatro pontos do líder Wiliete, mas com uma partida a menos. O D'Agosto surge dois postos abaixo, com menos um ponto.
Este sábado, no França Ndalu, há uma ressaca para sarar e um arroz para condimentar. Resta saber se levará sal ou açúcar.